Ainda Incerteza Externa
A desconfiança no sistema financeiro e na recuperação da economia que uma crise fiscal em algum país europeu pode desencadear é muito grande. Por isso se aguarda uma solução igualmente grande ou importante. Ontem, a possibilidade de que o BCE e/ou a Alemanha poderia liderar uma ajuda a Grécia trouxe um grande alívio nos preços dos ativos, principalmente ações e commodities. É claro que os preços estavam muito depreciados, logo qualquer perspectiva positiva traria uma alta importante, mas serviu também para demonstrar que em função do alto volume de negócios, ainda há forte intenção de compra, tanto nos EUA como aqui também. A confirmação ou desmentido de uma ajuda de maneira oficial terá um poder muito forte, logo a volatilidade deve permanecer em nível elevado, e os indicadores a serem divulgados bem como resultados de empresas, podem perder importância.
Na Ásia as principais bolsas fecharam o dia em alta, apesar de longe das máximas e ainda com clima de desconfiança. No Japão após uma alta de quase 1,3% o principal índice fechou o dia positivo em 0,3%. Mais um dia ruim para as montadoras, agora a Honda fez um recall de cerca de 430 mil veículos. Na Coréia o principal índice fechou estável também depois de abrir em alta. Os investidores aguardam resultado da reunião do BC. Em Hong Kong alta de 0,8%, com melhora no setor financeiro. Na China alta de 1,14%, no melhor desempenho da região. A possibilidade dos empréstimos terem ficado estáveis em janeiro afasta a possibilidade de novas medidas de aperto monetário, e o saldo da balança comercial apesar de ter ficado pouco abaixo do esperado, mostrou uma melhora significativa em relação a 2009. Na Austrália alta de 0,2%, com o setor financeiro ainda com desempenho ruim e o setor de commodities na ponta contrária. O resultado da BHP, maior mineradora do mundo, foi acima do esperado, o preço da ação chegou a subir mais de 3%, mas fechou com alta modesta, com os investidores preferindo não assumir novas posições.
As principais bolsas européias abriram em alta, nada expressivo, mas com os investidores confiantes em medidas para ajudar os países em dificuldades para refinanciar seus déficits fiscais. O euro abriu com ligeira alta diante do dólar, mas sem influenciar as commodities que têm pequenas quedas em conseqüência de realizações de lucros. Mas ao longo do dia, muitas análises, fatos e indicadores influenciarão os mercados no continente. O preço do barril de petróleo após a forte alta de ontem, abriu com ligeira queda, também no movimento de realização de lucros. Serão divulgados importantes indicadores de produção industrial e atividade manufatureira no Reino Unido, França e Itália, que devem ter reflexo nos mercados, principalmente nas bolsas.
Nos EUA o dia será de muita observação sobre os desdobramentos das negociações sobre os países europeus com problemas de financiamento de déficits fiscais, o resultado da balança comercial de dezembro, com expectativa de déficit de US$35.5 bilhões, déficit orçamentário de janeiro, com expectativa de US$ 70.0 bilhões, e resultados de empresas, onde destaco British American Tabacco, Arcellor Mittal, New York Times, Prudential e Sprint Nextel. Os investidores tiveram reação positiva à possível ajuda do BCE e da Alemanha.
Por aqui o destaque interno está na divulgação de resultados de empresas importantes como Vivo, Net e Vale do Rio Doce, sendo esta última após o fechamento do mercado. Entre os indicadores destaque para a segunda prévia do IGPM de fevereiro, o que deve mexer com o mercado futuro de juros.
Assim como no resto do mundo, a solução, ou o encaminhamento de uma, para os problemas dos países europeus reduzirá muito a aversão a risco, trazendo os fundamentos de volta para o centro da formação dos preços dos ativos. Qualquer outro assunto fica nestes dias relevado a segundo plano. A divulgação do resultado da Vale do Rio Doce é o segundo driver do dia, principalmente após os números acima do esperado apresentados pela concorrente australiana BHP.
É arriscado traçar uma expectativa para o dia, dado que os fatores externos, e completamente subjetivos quanto ao desfecho, comandaram o comportamento dos preços dos ativos.
Mauro Giorgi é gestor de recursos autorizado pela CVM