Possível Recuperação, Com Volatilidade
Os investidores têm muito com que se preocupar? Acredito que nada do que os noticiários têm colocado seja novidade. Talvez o volume e a velocidade das preocupações tenham sido maiores que o esperado, mas a situação do emprego nos EUA não é nova; a situação fiscal de alguns países europeus, como os citados ultimamente não é nova; o aperto monetário na China não é novo; o crescimento forte da economia brasileira que poderia colocar o BC atento a reajustes de preços, também não é novo. Então foi a percepção de que todos estes fatores em conjunto, sendo levados em consideração ao mesmo tempo, causaram as quedas nos preços dos ativos e a elevação da aversão ao risco? É uma resposta, mas não a única. Acredito que alguns pontos são importantes. A situação americana demora a ser solucionada, mas um encaminhamento poderá vir antes, até lá, volatilidade que afetará todos os mercados, mais ou menos conforme os momentos. A situação fiscal de alguns países europeus também demorará a ser solucionada, mas um real e efetivo encaminhamento poderá ocorrer nas próximas semanas. Até lá muita volatilidade em função do desencontro de informações e dificuldades de discursos homogêneos. O aperto monetário na China, já comentado aqui, se estiver sendo preventivo, estou usando o condicional pelas poucas informações que o país coloca a disposição, é algo positivo no médio prazo, no curto, teremos volatilidade. Por aqui, “farpas” entre BC e Fazenda em ano eleitoral é algo conhecido, possíveis elevações de taxas de juros ocorrerão, o mercado normalmente pratica o “overshooting”, acreditando que as mudanças serão logo e fortes, algo pouco comum ao BC, até porque a necessidade não é esta. Então os investidores terão que conviver com estas incertezas, analisar bem seu grau de risco e escolher algumas oportunidades que estão surgindo. Quanto à recuperação econômica do mundo, ela pode ter reduzido consideravelmente a velocidade, até porque não se acreditava muito no que vinha ocorrendo, mas não irá parar.
A semana começou com queda nas principais bolsas asiáticas. A alta do iene em relação ao euro derrubou as ações das empresas exportadoras na bolsa do Japão, levando a uma queda de 1% no principal índice, o mesmo ocorrendo com a Coréia que recuou 0,9% e Hong Kong 1%, alcançando o ponto mais baixo em 5 meses. Na China novas notícias de possível contingenciamento de crédito para empresas com capacidade ociosa e bancos que trabalham com o mercado imobiliário fizeram com que o principal índice fechasse estável após abertura em alta. Na Austrália pequena alta de 0,2% com os investidores buscando boas empresas com preços baixos.
Na Europa a abertura foi positiva após as fortes baixas da semana anterior. Expectativa de ajuda da Comunidade Européia para os países em dificuldades com suas contas externas e busca de boas empresas por bons preços pelos investidores animam as bolsas que na primeira hora subiram mais de 1%. O euro recupera parte do terreno em relação ao dólar e com isso ajuda o preço das commodities. No entanto a recuperação para muitos analistas locais é técnica, tendo pouco respaldo em fundamentos, logo a volatilidade ainda é o tema principal. Sem indicadores importantes as análises e especulações sobre empresas e contas da Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda, seguem na ponta do noticiário.
Nos EUA um dia sem indicadores macroeconômicos a serem divulgados e com resultados de empresas de menor importância pode fazer com que haja alguma recuperação maior nas cotações. O cenário corporativo será o que comandará o mercado.
Por aqui os investidores mantêm olhos no mercado internacional, cotação de commodities e alguma movimentação de aversão a risco, ao mesmo tempo em que seguem os passos do BC ou alguma “pista” sobre inflação mais forte e volume de saída de recursos do mercado de ações.
O mercado de juros permanece à espera de novos indicadores de inflação e fica atento a pesquisa Focus a ser divulgada hoje.
O mercado de câmbio observa a movimentação de aversão a risco, e as atitudes do BC que mantém, mesmo em um momento de maior volatilidade a política inerte de compra de dólares. A expectativa é de uma menor pressão à medida que os mercados externos melhorem.
O mercado de ações tem o vencimento de opções de ações e opções de índice, e aguarda para quarta-feira o vencimento do mercado futuro de índice Bovespa, logo já tem uma volatilidade maior que o normal. Além disto, também será influenciado pelas novas projeções do relatório Focus que voltaram a ganhar importância, o movimento dos investidores externos e o desempenho do mercado americano. As recentes baixas abriram boas oportunidades de compra, no entanto o cuidado deve ser maior, já que se houver alguma antecipação de movimento de elevação de juros por parte do BC conforme o mercado começou a projetar, o mercado pode sofrer. Uma melhora técnica pode ser observada no mercado, o investidor não deve se empolgar muito se isto ocorrer.
Mauro Giorgi é gestor de recursos autorizado pela CVM