Algum Otimismo a Ser Testado

Quando há exagero nos preços dos ativos, naturalmente a correção vem, e atrás dela, as justificativas. O noticiário do fim de semana, e as perspectivas sombrias após o Fórum Econômico Mundial, não davam sinais de que haveríamos um início de semana positivo. No entanto, as próprias forças do mercado encontraram em indicadores americanos a justificativa para uma alta forte. O volume de negócios não foi comparável aos dos momentos das últimas quedas, mas para um “respiro” é aceito. Mas o importante é que não há nada novo, e os investidores aguardam alguma coisa mais palpável em termos de macroeconomia para manter o otimismo do fim do ano. Novos indicadores e resultados de empresas podem manter a recuperação, mas a necessidade de maior volume de negócios e maior propensão a risco pode frustrar uma correção mais forte. Por aqui o movimento foi diferente, o cenário é melhor apesar de algumas armadilhas. Assim, a recuperação, também dependente de maior volume de negócios, pode ser melhor, apesar de sofrer a influência externa, principalmente dos acontecimentos na China.

As principais bolsas asiáticas tiveram um dia de comportamento misto. A maior força do dólar contra o iene fez com que no Japão a alta fosse de 1,6%, enquanto na Coréia, após uma abertura positiva, o fechamento foi ligeiramente em queda. Em Hong Kong ligeira alta, enquanto na China ligeira baixa, nada além de 0,25% para ambos os lados. Em Taiwan mais uma queda, chegando perto do ponto mais baixo em 3 meses. Na Austrália o BC local manteve os juros, e o mercado subiu mais de 1,8% com destaque para as mineradoras. A melhora do humor nos EUA foi a principal justificativa de analistas locais.

A abertura na Europa foi negativa. Um movimento de realização de lucros, e a influencia do resultado, abaixo do esperado, da BP, além da pequena alta do dólar em relação ao euro, são os motivos levantados por analistas locais. O preço do barril de petróleo após uma alta de pouco mais de 1% ontem, abre estável a espera de novos números da economia européia e americana. Indicadores e resultados são importantes para o movimento de hoje, logo a abertura não refletirá como se comportará o mercado ao longo da sessão.

Nos EUA o dia tem menos indicadores do que ontem, somente a venda de imóveis pendentes, com expectativa de +0,6%, contra -19% do mês anterior. Este indicador ainda é do mês de dezembro, perdendo parte de sua influência após a divulgação do PIB preliminar. O outro indicador é a venda de veículos, já do mês de janeiro, que trará influencia relativa. O Secretário do Tesouro irá ao Senado falar sobre o Orçamento de 2010, assunto importante para construção de cenários e não para influencia de curto prazo. E finalmente os resultados a serem divulgados no dia, onde destaco, Dow Chemical, Hershey, Kraft, Whirpool, Metlife, UPS, Emerson Eletric e Lexmark.

Por aqui temos dois indicadores, o IPC-FIPE de janeiro, que deve mostrar uma alta sazonal da inflação, e a Produção Industrial, divulgada pelo IBGE, relativa ao mês de dezembro. Este número é importante para a política monetária, pois um crescimento forte leva a novas projeções de inflação e novas projeções de elevação dos juros. Mas normalmente o mês de dezembro é mais “calmo”.
O mercado de juros aguarda os indicadores de inflação de janeiro para novas posições, já que as projeções do Focus foram dentro do esperado.
O mercado de câmbio teve ontem a maior queda do dólar em um só dia em 2010. O bom humor externo, a realização de lucros e um déficit comercial abaixo das expectativas foram os motivos para a queda da moeda americana. A continuação do movimento depende do mercado externo.
O mercado de ações acompanhou a melhora externa, refletiu aspectos positivos internos, e só não teve um desempenho mais forte em função do volume de negócios abaixo da média do ano, apesar de que na última meia hora houve um aumento significativo. A manutenção do movimento de melhora vai depender do fluxo dos investidores externos e do humor no mercado americano. Assim, oportunidades de curto prazo na compra ocorrerão à medida que os investidores externos entenderem que as notícias possam ser positivas nos próximos dias, sem esquecer que nas próximas sessões indicadores sobre emprego nos EUA será o destaque. Oportunidades na venda foram criadas ontem e podem ser aproveitadas ainda na abertura, a meu ver, e ainda há desconfiança quanto ao desempenho da economia chinesa. Escolham o lado.

Mauro Giorgi é gestor de recursos autorizado pela CVM

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Algum Otimismo a Ser Testado

Quando há exagero nos preços dos ativos, naturalmente a correção vem, e atrás dela, as justificativas. O noticiário do fim de semana, e as perspectivas sombrias após o Fórum Econômico Mundial, não davam sinais de que haveríamos um início de semana positivo. No entanto, as próprias forças do mercado encontraram em indicadores americanos a justificativa para uma alta forte. O volume de negócios não foi comparável aos dos momentos das últimas quedas, mas para um “respiro” é aceito. Mas o importante é que não há nada novo, e os investidores aguardam alguma coisa mais palpável em termos de macroeconomia para manter o otimismo do fim do ano. Novos indicadores e resultados de empresas podem manter a recuperação, mas a necessidade de maior volume de negócios e maior propensão a risco pode frustrar uma correção mais forte. Por aqui o movimento foi diferente, o cenário é melhor apesar de algumas armadilhas. Assim, a recuperação, também dependente de maior volume de negócios, pode ser melhor, apesar de sofrer a influência externa, principalmente dos acontecimentos na China.

As principais bolsas asiáticas tiveram um dia de comportamento misto. A maior força do dólar contra o iene fez com que no Japão a alta fosse de 1,6%, enquanto na Coréia, após uma abertura positiva, o fechamento foi ligeiramente em queda. Em Hong Kong ligeira alta, enquanto na China ligeira baixa, nada além de 0,25% para ambos os lados. Em Taiwan mais uma queda, chegando perto do ponto mais baixo em 3 meses. Na Austrália o BC local manteve os juros, e o mercado subiu mais de 1,8% com destaque para as mineradoras. A melhora do humor nos EUA foi a principal justificativa de analistas locais.

A abertura na Europa foi negativa. Um movimento de realização de lucros, e a influencia do resultado, abaixo do esperado, da BP, além da pequena alta do dólar em relação ao euro, são os motivos levantados por analistas locais. O preço do barril de petróleo após uma alta de pouco mais de 1% ontem, abre estável a espera de novos números da economia européia e americana. Indicadores e resultados são importantes para o movimento de hoje, logo a abertura não refletirá como se comportará o mercado ao longo da sessão.

Nos EUA o dia tem menos indicadores do que ontem, somente a venda de imóveis pendentes, com expectativa de +0,6%, contra -19% do mês anterior. Este indicador ainda é do mês de dezembro, perdendo parte de sua influência após a divulgação do PIB preliminar. O outro indicador é a venda de veículos, já do mês de janeiro, que trará influencia relativa. O Secretário do Tesouro irá ao Senado falar sobre o Orçamento de 2010, assunto importante para construção de cenários e não para influencia de curto prazo. E finalmente os resultados a serem divulgados no dia, onde destaco, Dow Chemical, Hershey, Kraft, Whirpool, Metlife, UPS, Emerson Eletric e Lexmark.

Por aqui temos dois indicadores, o IPC-FIPE de janeiro, que deve mostrar uma alta sazonal da inflação, e a Produção Industrial, divulgada pelo IBGE, relativa ao mês de dezembro. Este número é importante para a política monetária, pois um crescimento forte leva a novas projeções de inflação e novas projeções de elevação dos juros. Mas normalmente o mês de dezembro é mais “calmo”.
O mercado de juros aguarda os indicadores de inflação de janeiro para novas posições, já que as projeções do Focus foram dentro do esperado.
O mercado de câmbio teve ontem a maior queda do dólar em um só dia em 2010. O bom humor externo, a realização de lucros e um déficit comercial abaixo das expectativas foram os motivos para a queda da moeda americana. A continuação do movimento depende do mercado externo.
O mercado de ações acompanhou a melhora externa, refletiu aspectos positivos internos, e só não teve um desempenho mais forte em função do volume de negócios abaixo da média do ano, apesar de que na última meia hora houve um aumento significativo. A manutenção do movimento de melhora vai depender do fluxo dos investidores externos e do humor no mercado americano. Assim, oportunidades de curto prazo na compra ocorrerão à medida que os investidores externos entenderem que as notícias possam ser positivas nos próximos dias, sem esquecer que nas próximas sessões indicadores sobre emprego nos EUA será o destaque. Oportunidades na venda foram criadas ontem e podem ser aproveitadas ainda na abertura, a meu ver, e ainda há desconfiança quanto ao desempenho da economia chinesa. Escolham o lado.

Mauro Giorgi é gestor de recursos autorizado pela CVM

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